Guia completo de referência para implantação, operação, suporte e estudo do módulo Reformadora do MOVERE.
Escopo: conceitos do negócio, cadastros, parâmetros, fluxo ponta a ponta, chão de fábrica, exceções, diagnóstico, relatórios, casos práticos e fontes oficiais. Valide sempre as particularidades da versão, empresa, estabelecimento, bandeira e processo do cliente antes de alterar um ambiente de produção.
Índice
- 1. O que você precisa entender primeiro
- 2. Conceitos técnicos da reforma de pneus
- 3. Etapas físicas da recapagem
- 4. Modelo mental dos dados no MOVERE
- 5. Cadastros e parâmetros essenciais
- 6. Fluxo completo — reforma da carcaça do cliente
- 7. Fluxo de recusa, laudo e garantia
- 8. Coletor e automação do chão de fábrica
- 9. Monitoramento operacional
- 10. Relatórios que você deve conhecer
- 11. Custos e estoque
- 12. Fluxo específico de remold — R485
- 13. Erros e diagnóstico rápido
- 14. Indicadores gerenciais
- 15. Glossário rápido
- 16. Perguntas de revisão
- 17. Casos práticos
- 18. Plano de estudo em cinco sessões
- 19. Resumo de bolso
- 20. Fontes principais
Material elaborado em 21/09/2026 com base na documentação pública do MOVERE, inclusive artigos atualizados em 2026, e nas orientações do Inmetro. A configuração real pode variar conforme versão, estabelecimento, bandeira, permissões e processos do cliente.
1. O que você precisa entender primeiro
Uma reformadora recebe pneus usados, avalia se suas carcaças podem ser reaproveitadas e executa serviços que prolongam a vida útil do pneu. No MOVERE, o processo conecta:
- atendimento e orçamento;
- captação e identificação da carcaça;
- entrada fiscal;
- ordem de produção (OP);
- etapas do chão de fábrica;
- consumo de materiais e serviços extras;
- inspeção, recusa, conserto ou conclusão;
- saída/devolução da carcaça;
- faturamento;
- expedição, entrega e relatórios.
A ideia central é rastreabilidade unitária. Cada pneu precisa ser acompanhado desde a entrada até a devolução, relacionando cliente, coleta, carcaça, OP, etapas, materiais, operadores, laudos, notas e faturamento.
Os dois fluxos que não podem ser confundidos
| Fluxo | Propriedade da carcaça/produto | Início típico | Resultado |
|---|---|---|---|
| Reforma ou conserto para cliente | A carcaça pertence ao cliente | R11 ou R419, com captação | A carcaça reformada é devolvida e o serviço é faturado |
| Produção de remold | A empresa fabrica um produto acabado | R485, com item fabricado e matérias-primas | O pneu remold entra no estoque ou atende a um pedido |
Essa distinção explica por que o primeiro fluxo usa captação + entrada/saída de carcaça, enquanto o segundo usa entrada de produto acabado + baixa de matérias-primas.
2. Conceitos técnicos da reforma de pneus
Carcaça
É a estrutura do pneu usado que poderá ser reaproveitada. Antes da reforma, ela precisa passar por inspeção. Se não atender aos critérios técnicos, deve ser recusada.
Recapagem
Substitui a banda de rodagem. Segundo o Inmetro, é o método mais comum no Brasil.
- Processo a frio: utiliza banda pré-moldada, já com desenho; a documentação do MOVERE cita aproximadamente 110 °C e o Inmetro informa temperatura de até 115 °C.
- Processo a quente: utiliza borracha crua, também chamada de camelback, que ganha o desenho no molde; a documentação cita aproximadamente 150 °C.
Recauchutagem
Substitui a banda de rodagem e os ombros laterais.
Remoldagem
Substitui banda, ombros e a superfície dos flancos, de talão a talão. O produto perde as identificações externas originais e recebe marca e denominação do reformador, que assume a responsabilidade pelo produto.
Conserto
No processo descrito pelo MOVERE, ocorre quando uma falha é identificada e precisa ser corrigida. Também podem existir serviços adicionais, como aplicação de manchão ou troca de cinta.
Exigência regulatória
O serviço de reforma é regulamentado pela Portaria Inmetro nº 433/2021. O reformador precisa observar requisitos técnicos, rastreabilidade, inspeção, materiais e identificação. O pneu reformado deve trazer a indicação “RECAUCHUTADO”, “RECAPADO” ou “REMOLDADO”, conforme o processo aplicado.
3. Etapas físicas da recapagem
O fluxo físico documentado pelo MOVERE é:
- Limpeza e inspeção inicial — remove sujeira e avalia se a carcaça atende aos padrões.
- Raspagem — remove o desenho antigo e regulariza a circunferência.
- Escareação e cimentação — remove separações, oxidação e borracha danificada; prepara as áreas tratadas.
- Enchimento — preenche as escareações com borracha apropriada.
- Preparação da banda — define largura, desenho e comprimento e realiza o corte; pode ser etapa avulsa.
- Aplicação do coxim — registra o material de ligação entre carcaça e banda.
- Aplicação da banda — posiciona coxim e banda sobre a carcaça preparada.
- Montagem e envelopamento — monta pneu, envelope, aro, câmara e protetor conforme o processo.
- Vulcanização — promove a adesão uniforme em condições controladas de temperatura, pressão e tempo.
- Inspeção final — verifica se as especificações técnicas foram atendidas.
O fluxo de conserto indicado pelo MOVERE costuma usar:
Limpeza/inspeção → escareação/cimentação → conserto → enchimento → montagem/envelopamento → vulcanização → inspeção final
No sistema, a sequência real é determinada pela linha de produção e pelas etapas cadastradas para ela.
4. Modelo mental dos dados no MOVERE
Pense nas entidades como uma corrente:
Cliente → OS/orçamento → item de venda → captação da carcaça → OP unitária → linha → etapas → receita/materiais → conclusão ou recusa → saída/devolução → faturamento → expedição
Elementos principais
- Item de venda: o serviço comercializado ao cliente.
- Item de captação: representa a carcaça que entra para reforma.
- Item de produção: representa o que será executado no chão de fábrica, por exemplo medida + desenho + largura.
- Receita/estrutura: matérias-primas que o item de produção deve consumir.
- Linha de produção: fluxo ao qual a OP pertence, como reforma, conserto ou outra.
- Etapa: ponto operacional da linha, como inspeção, raspa, aplicação ou vulcanização.
- OP: unidade rastreável do processo produtivo.
- Coleta: agrupamento logístico/comercial de pneus captados.
- Laudo: documentação da análise, recusa, reclamação ou garantia.
Informações importantes da captação
Dependendo da configuração, podem ser registrados:
- medida;
- marca e modelo;
- DOT;
- número de fogo;
- série;
- desenho/banda;
- identificação do veículo;
- roda, câmara e protetor;
- previsão de entrega;
- número da coleta e regime especial;
- solicitação de laudo;
- valor atribuído à captação.
5. Cadastros e parâmetros essenciais
5.1 Parâmetros por empresa — R29
| Parâmetro | Função |
|---|---|
| P88 | Código de E/S para entrada de produção |
| P89 | Código de E/S para saída de produção |
| P174 | Define uso do controle de etapas na OP |
| P243 | Define uso do controle de produção |
| P594 | Movimenta a estrutura dos itens de produção vinculados a serviços adicionados à parte |
| P636 | Pode bloquear item de produção duplicado por medida + desenho + tamanho |
| P1353 | Habilita reforma na R11 |
| P1377 | Destaca itens com preço diferente da tabela padrão na R11 |
5.2 Parâmetros por estabelecimento — R33
| Parâmetro | Função |
|---|---|
| P172 | E/S para entrada do item de captação |
| P173 | E/S para saída do item de captação |
| P382 | Modelo/tipo de impressão da ficha de OP |
| P417 | Inicia automaticamente a OP após confirmar a entrada |
| P996 | Dias máximos em que a OP pode ficar bloqueada |
| P998 | Habilita monitoramento/prorrogação de OP |
| P1004 | Dias de antecedência para alerta de bloqueio |
| P1213 | Pesquisa da causa de recusa por código MOVERE ou código de impressão |
| P1362 | Envia orçamento de produção do aplicativo para a R11 |
5.3 Entrada e saída — R117
O campo Captação para Reforma pode ser configurado para:
- exigir conforme o campo “Exige Captação” do item;
- nunca realizar captação;
- exigir captação para itens que geram OP.
Para captar na R419, o item precisa estar configurado para gerar ordem de produção.
5.4 Linhas de produção — R685
Cadastrar a linha e seu tipo: reforma, conserto ou outra. A linha pode controlar:
- obrigatoriedade de medida, desenho e tamanho;
- cobrança ou não de serviços extras;
- estabelecimentos que utilizam a linha;
- estrutura de etapas adequada a cada planta/bandeira.
5.5 Etapas por linha — R688
Configura a sequência e o comportamento das etapas. Entre as opções relevantes:
- permite recusa;
- permite pular etapa;
- etapa avulsa;
- desbloqueia etapas avulsas;
- permite/exige itens;
- permite múltiplas confirmações;
- imprime etiqueta;
- faz logoff automático;
- limita grupos de itens aceitos;
- permite troca de item de produção;
- quantidade mínima/máxima;
- tempo mínimo de permanência;
- permite solicitar autorização da OP.
5.6 Usuários industriais
- R1: cadastro do usuário.
- R984: senha numérica do usuário de produção.
- R706: etapas que cada usuário pode confirmar.
- R697/R696: direitos por usuário ou grupo para rotinas administrativas.
5.7 Item de produção — R482
Representa o processo executado. Uma nomenclatura sugerida pela documentação é:
Serviço + medida + desenho + largura
Exemplo conceitual: RECAP 11.00R20 DESENHO X 250MM.
Campos especialmente importantes:
- medida;
- desenho;
- tamanho/largura;
- tipo de controle, geralmente quantidade;
- peso/quantidade, normalmente 1;
- nome de impressão.
Esses dados permitem troca automática do item quando o raspador informa uma largura diferente. Se a combinação medida + desenho + largura não existir, pode ocorrer “VALOR INVÁLIDO”; se existir duplicada, “MUITOS VALORES CAD. INVÁLIDO”.
5.8 Item de produção por estabelecimento — R39
Relaciona:
- estabelecimento;
- item de produção;
- linha de produção;
- receita/estrutura de materiais;
- etapa em que cada material será baixado;
- quantidade esperada;
- tolerância percentual ou quantidades mínima/máxima;
- integração obrigatória com o coletor;
- permissão para excluir material.
A receita é específica por estabelecimento/linha. Copiar um item base exige cuidado: banda, ligação e demais componentes podem ficar incorretos.
5.9 Itens — R130
Principais tipos:
- Matéria-prima: banda, coxim/ligação, cola, borracha etc.
- Carcaça/captação: item que representa o pneu recebido.
- Serviço de venda: item cobrado do cliente.
- Subitem/serviço extra: manchão, cinta ou outro serviço acrescentado durante a produção.
- Produto fabricado: usado no fluxo de remold para entrada do produto acabado.
No item de venda da reforma, normalmente são configurados:
- gera OP;
- OP unitária;
- exige captação;
- item de produção vinculado;
- item de captação vinculado.
O campo Faz Parte do Custo de Reforma? influencia a composição do custo da reforma.
6. Fluxo completo — reforma da carcaça do cliente
Etapa 1 — Criar a OS/orçamento
Pode começar na:
- R11 — Fast Checkup/Reforma, quando P1353 estiver ativo e o estabelecimento for do tipo reformadora;
- R419 — Vendas Varejo.
O usuário inclui o serviço e registra as captações. Na R11, itens de captação são lançados em linhas separadas. É possível imprimir etiqueta e acompanhar captações pendentes.
Etapa 2 — Registrar a captação
Cada carcaça recebe seus dados de identificação. Se o cliente já forneceu nota fiscal, registra-se a opção correspondente e os dados do documento; caso contrário, o processo pode gerar entrada por nota própria, conforme parametrização e operação fiscal do cliente.
Ao fechar a venda, o orçamento segue como OP ativa/produção e pode depender de crédito ou liberações.
Etapa 3 — Liberar exceções comerciais
Se houver desconto excessivo ou outra condição fora da política, a venda pode precisar de aprovação na R442 — Liberação de Vendas.
Etapa 4 — Confirmar entrada na R714
Na R714 — Autorização de E/S de Captações, o orçamento aparece na aba de entradas.
- Confirmar: gera a entrada da carcaça, cria a nota correspondente e inicia o processo.
- Rejeitar: devolve o orçamento à R11/R419 para correção.
Se P417 estiver ativo, as OPs começam automaticamente. Se estiver inativo, usa-se a R707 — Inicialização de Processamento de OP.
Etapa 5 — Executar o chão de fábrica
A rotina central é a R708 — Confirmação de Etapas da OP, também usada pelo coletor virtual/físico/mobile.
Em cada etapa, o sistema pode:
- registrar operador, data e hora;
- fazer perguntas técnicas;
- exigir respostas;
- registrar consumo real de materiais;
- limitar quantidades;
- adicionar serviço extra;
- baixar estoque;
- imprimir etiquetas;
- mudar o fluxo conforme a resposta;
- avançar a OP para a próxima etapa.
Rotinas auxiliares:
| Rotina | Uso |
|---|---|
| R709 | Pular etapa, quando permitido |
| R710 | Voltar/estornar etapa |
| R711 | Reprocessar etapa |
| R712 | Recusar OP |
| R755 | Trocar item de produção, quando a etapa permitir |
| R1229 | Aprovar ou rejeitar solicitação de autorização da OP |
Etapa 6 — Inspeção final e destino
Os principais resultados são:
- Concluído: segue para saída;
- Recusado: sai da produção com causa documentada;
- Retrabalho/conserto: retorna ou desvia para etapas específicas;
- Laudo pendente: segue para avaliação na R1001, conforme o fluxo.
Etapa 7 — Confirmar saída na R714
Após a última etapa, a OP volta à R714 na aba de saídas. A confirmação:
- gera a devolução/saída da carcaça;
- gera orçamento/cotação de faturamento;
- inclui materiais ou serviços cobrados à parte;
- permite observação que poderá aparecer na nota de devolução.
Se o processo começou na R11, a cotação retorna para a própria R11, normalmente no status de caixa definido pelo processo, podendo receber ajustes comerciais permitidos.
Etapa 8 — Faturar
São emitidos os documentos correspondentes ao serviço e/ou mercadorias. O sistema mantém o vínculo entre orçamento original, captação, OP, devolução e faturamento.
Etapa 9 — Expedir e entregar
Na confirmação de saída da R714, pode-se marcar Expedição? e:
- vincular cada OP a uma locação;
- definir retirada imediata.
Na R1245 — Expedição de Pneus Reformados:
- OP vinculada a locação entra como Pendente;
- coleta pode reunir várias OPs do mesmo estabelecimento e cliente;
- após coleta, passa a Retirado;
- é gerado Termo de Entrega;
- a coleta pode ser cancelada enquanto estiver no estado permitido;
- imagens podem servir como comprovação da entrega.
7. Fluxo de recusa, laudo e garantia
Recusa comum
- A OP chega a uma etapa que permite recusa.
- O operador usa R712.
- A causa vem do cadastro da R995 — Códigos de Recusa.
- A OP sai do processo produtivo e segue à saída da R714.
- Pode ser tratada/impressa na R1001 — Laudos de Produção.
- O R998 acompanha pneus recusados.
Solicitação de laudo
A captação pode nascer marcada como “Solicitação de Laudo”. Depois da entrada, a OP vai para a R1001, onde será definido se:
- o pneu será produzido;
- será recusado;
- haverá crédito de garantia para o cliente.
Relatórios e impressos podem incluir reclamação, causa da recusa, largura, sulco remanescente, validade do crédito e estatísticas de sucateamento.
Regra mental
Recusar não é apagar. É concluir o fluxo com motivo, usuário, data, laudo e devolução rastreáveis.
8. Coletor e automação do chão de fábrica
Coletor virtual
Pré-requisitos:
- liberar etapas ao usuário na R706;
- cadastrar senha de produção na R984;
- autenticar usuário;
- informar a OP;
- confirmar a etapa atual.
Ao confirmar, a OP avança. Ao cancelar, os dados digitados são limpos e o coletor solicita nova OP.
Perguntas e respostas do processo
- R989: cria os campos/perguntas.
- R997: vincula o campo à rotina, normalmente R708.
- R990: cadastra alternativas/respostas.
Uma resposta pode mudar o fluxo e direcionar a OP para outra linha/etapa. Isso permite, por exemplo, encaminhar o pneu para conserto somente quando determinada condição for identificada.
Controle de quantidade e integração
Quantidades mínima/máxima ou tolerância percentual evitam erros graves de digitação. Exemplo: impedir que 10,320 kg seja interpretado como 10320 kg.
Balança e preparação de banda
A pesagem integrada pode registrar o consumo real de materiais, especialmente banda e coxim. A qualidade do cadastro de unidade, embalagem, receita e tolerâncias determina a confiabilidade do estoque e dos custos.
9. Monitoramento operacional
R1153 — Monitor do Chão de Fábrica
Mostra OPs iniciadas agrupadas por etapas. A configuração é feita na R1152 e as etapas são relacionadas aos itens do monitor pela R688.
Tipos de quadro:
- Comum: OPs iniciadas na etapa;
- Vulcanização: OPs na etapa ou com autoclave iniciada;
- Exame final: OPs no exame final com autoclave concluída.
O painel atualiza automaticamente a cada dois minutos e destaca mudanças.
R1156 — Monitor de Produção da Reformadora
Exibe oito grupos:
- crédito pendente;
- gerar ficha;
- em produção;
- aguardando saída;
- faturamento;
- produzidos no mês;
- recusados no mês;
- captados no mês.
R1143 — Monitoramento de OPs
Controla OPs pendentes de saída/faturamento e pode:
- definir prazo de bloqueio;
- alertar proximidade do prazo;
- prorrogar mediante motivo;
- bloquear o usuário até que a pendência seja resolvida na R714.
Gargalos que o painel ajuda a encontrar
- acúmulo antes da inspeção;
- raspa ou preparação de banda mais lenta;
- autoclave saturada;
- exame final represado;
- OP concluída sem saída;
- faturamento parado;
- taxa elevada de recusa.
10. Relatórios que você deve conhecer
| Rotina | Para que serve |
|---|---|
| R813 | Relatório customizável de OPs e andamento da produção |
| R842 | Histórico da ordem de produção |
| R857 | Acompanhamento de produção |
| R998 | Pneus recusados |
| R1001 | Manutenção/impressão de laudos e reclamações |
| R1004 | OPs por cliente |
| R1020 | Acompanhamento de OPs que tiveram laudo |
| R1034 | Resumo de pneus faturados |
| R1143 | OPs pendentes de saída/faturamento e prorrogações |
| R1159 | Andamento das OPs de uma coleta |
| R1214 | Movimentação física por item; útil no remold |
| R1025 | Comissão de recapagens por vendedor |
O R1159 reúne dados especialmente úteis: coleta, cliente, vendedor, loja, medida, marca, fogo, série, DOT, OP, item de produção, desenho, status, exames inicial/final, banda, consertos, motivos de recusa e créditos.
Atenção às comparações
Relatórios diferentes podem usar bases e agrupamentos diferentes. Exemplo documentado: o R1034 desconsidera pneus recusados e agrupa por linha de produção, enquanto outros relatórios de venda podem seguir outra lógica. Antes de apontar divergência, valide:
- período usado;
- data considerada;
- status incluídos;
- estabelecimento;
- linha de produção;
- faturado versus produzido;
- recusados incluídos ou não;
- agrupamento e granularidade.
11. Custos e estoque
Receita esperada x consumo real
A R39 define a receita esperada. Durante a R708/coletor, o operador pode informar o consumo real. O sistema pode baixar estoque na etapa configurada.
Requisitos para baixa correta
- item com natureza Matéria-prima;
- unidade/embalagem coerente com o consumo;
- depósito correto no estabelecimento;
- receita vinculada à etapa correta;
- parâmetros de produção configurados;
- custos preenchidos;
- estoque disponível, quando o controle fechado estiver ativo.
Serviços extras
Quando um serviço sem controle de estoque está vinculado a um item de produção e P594 está ativo, a estrutura desse item pode movimentar materiais proporcionalmente. Exemplo: serviço de aplicação de manchão consumindo o manchão correspondente.
Erros que distorcem o custo
- matéria-prima sem custo;
- embalagem incompatível;
- item fora da receita;
- etapa errada para baixa;
- quantidade digitada incorretamente;
- item que deveria fazer parte do custo de reforma sem a marcação;
- serviço extra sem item de produção vinculado;
- receita copiada sem revisão.
12. Fluxo específico de remold — R485
Este fluxo fabrica um produto acabado.
Preparação
- Liberar a R509 — Embalagens por Item do Item de Produção.
- Cadastrar o pneu remold na R130 com natureza Fabricado.
- Cadastrar o item de produção na R482.
- Informar o produto final.
- Cadastrar carcaça, borracha e demais componentes como Matéria-prima na estrutura da R39/R482.
- Configurar P88 e P89.
Produção
Na R485 — Ordens de Produção:
- escolher estabelecimento;
- escolher item de produção;
- informar quantidade prevista;
- escolher finalidade: alimentar estoque ou atender pedido;
- executar, deixando a OP iniciada;
- produzir;
- fechar a OP.
No fechamento, o sistema:
- dá entrada no produto acabado;
- baixa matérias-primas;
- atualiza estoque;
- grava movimentações.
Conferência
- botão DET da OP: movimentações detalhadas;
- R1214: entrada do produto acabado e saldo;
- R1160: itens produzidos;
- R1162: produção geral consolidada;
- R1165: materiais consumidos, perdas e custos.
13. Erros e diagnóstico rápido
| Sintoma | Hipótese principal | Onde verificar |
|---|---|---|
| Orçamento não aparece na R714 | Bloqueio/liberação pendente | R11, R442, crédito, parâmetros e status |
| OP não inicia automaticamente | P417 desativado | R33 e R707 |
| Usuário não vê/confirma etapa | Etapa não liberada | R706 e R984 |
| “Valor inválido” | Não existe combinação medida + desenho + largura | R482/R39 |
| “Muitos valores cad. inválido” | Combinação duplicada | R482 e P636 |
| Mínimo/máximo inválido | Quantidade fora da tolerância | R39/R688 |
| “Preço de venda não encontrado” | Item sem preço/configuração comercial | R130/R135/R233/tabela |
| Erro ao salvar consumo | Peso/unidade/cadastro incompleto | R130/R135/R39 |
| Material não baixou | Natureza, receita, etapa ou parâmetro incorreto | R130, R39, P88/P89/P594 |
| OP não pode ser trocada | Etapa não permite troca | R688 e R755 |
| OP ficou presa | Etapa não confirmada, estoque bloqueado ou pendência na R714 | R708, estoque, R714, R1143 |
| Relatórios não batem | Filtros, datas, status ou bases diferentes | Revisar critérios de cada relatório |
| Saída precisa ser desfeita | Documentos vinculados já gerados | Nota de saída/rotina fiscal e status dos orçamentos |
Ordem de investigação recomendada
- Identifique estabelecimento, cliente, orçamento, coleta e OP.
- Veja o status e a etapa atual.
- Consulte o histórico da OP.
- Verifique bloqueio de crédito/liberação.
- Confira item de venda, item de captação e item de produção.
- Confira linha, etapa, permissões e receita.
- Valide estoque e documentos fiscais.
- Reproduza em ambiente seguro antes de alterar produção real.
- Evite corrigir diretamente por banco de dados; preserve a trilha de auditoria.
14. Indicadores gerenciais
Produção
- pneus captados;
- pneus produzidos;
- pneus em processo;
- tempo médio total da reforma;
- tempo por etapa;
- produtividade por linha, turno ou operador;
- ocupação/gargalo da autoclave;
- OPs aguardando saída.
Qualidade
- taxa de recusa = recusados ÷ captados;
- recusa por causa, medida, marca, cliente ou examinador;
- índice de retrabalho;
- reclamações e garantias;
- aproveitamento de carcaças;
- reincidência por cliente/frota.
Comercial e financeiro
- ticket médio por reforma;
- receita de serviços extras;
- prazo entre captação, faturamento e entrega;
- margem por linha/item;
- créditos de garantia concedidos e utilizados;
- comissão de recapagem.
Estoque e custo
- consumo real versus receita prevista;
- variação de banda, coxim e borracha;
- perda de materiais;
- custo por OP, medida, desenho e linha;
- estoque parado ou insuficiente;
- divergências por unidade/embalagem.
15. Glossário rápido
- Captação: registro da carcaça recebida para reforma.
- Carcaça: estrutura do pneu que será avaliada e reaproveitada.
- Coleta: agrupamento de pneus captados em uma operação comercial/logística.
- Coxim/ligação: camada de borracha adesiva entre carcaça e banda.
- DOT: código de identificação e data de fabricação do pneu.
- E/S: código de entrada/saída utilizado nas movimentações.
- Etapa avulsa: etapa que pode ser executada fora da sequência linear, após desbloqueio.
- Fogo: identificação operacional/frota aplicada ao pneu.
- Item de produção: representação do processo/resultado executado na fábrica.
- OP: ordem de produção.
- Receita/estrutura: materiais previstos para determinada produção.
- Raspa: remoção da banda antiga e preparação geométrica da carcaça.
- Recusa: encerramento produtivo por impossibilidade técnica, com causa registrada.
- Vulcanização: processo térmico/pressurizado de união dos materiais.
16. Perguntas de revisão
Tente responder sem consultar o gabarito.
- Qual a diferença entre recapagem, recauchutagem e remoldagem?
- Qual a diferença entre item de venda, item de captação e item de produção?
- Por que a OP costuma ser unitária em uma reformadora?
- Qual rotina cria linhas de produção? E qual define suas etapas?
- Onde se libera um usuário para confirmar determinada etapa?
- Qual é a função da R714 na entrada e na saída?
- O que muda quando P417 está desativado?
- Qual rotina confirma a etapa da OP?
- Quando usar R710, R712 e R755?
- Por que medida + desenho + largura são importantes?
- Onde é configurada a receita do item por estabelecimento?
- O que P594 faz?
- O que acontece depois que todas as etapas são concluídas?
- Qual a diferença entre uma OP concluída e uma OP faturada?
- Como uma OP recusada deve sair do processo?
- Para que servem R1153 e R1156?
- Qual relatório acompanha uma coleta completa?
- Por que dois relatórios podem apresentar quantidades diferentes?
- No remold, o que acontece com estoque ao fechar a R485?
- Qual seria sua sequência de diagnóstico para uma OP “presa”?
Gabarito resumido
- Banda; banda + ombros; banda + ombros + flancos/talão a talão.
- Serviço vendido; carcaça recebida; processo executado na fábrica.
- Para manter rastreabilidade individual de cada carcaça.
- R685 e R688.
- R706; senha industrial na R984.
- Autoriza a entrada da carcaça/início e depois sua saída/devolução/faturamento.
- A OP precisa ser iniciada manualmente na R707.
- R708 ou coletor integrado a ela.
- Voltar etapa; recusar OP; trocar item de produção.
- Identificam corretamente a combinação de produto/banda e suportam troca automática.
- R39.
- Movimenta a estrutura de materiais de serviços adicionados à parte.
- A OP retorna à R714 para saída.
- Concluída terminou a produção; faturada já passou pelo documento comercial/fiscal.
- Registrar motivo, concluir recusa, passar pela saída da R714 e manter laudo/histórico.
- Painel configurável de chão de fábrica e painel fixo de produção.
- R1159.
- Porque usam datas, status, agrupamentos e populações diferentes.
- Entra produto acabado e saem matérias-primas.
- Identificar OP/status → histórico/etapa → permissões → cadastro/receita → estoque → R714/documentos.
17. Casos práticos
Caso A — Cliente entrega quatro pneus
O vendedor lança quatro captações. Cada pneu gera uma linha/OP unitária. Três são aprovados e um é recusado na inspeção inicial. Os três percorrem as etapas, consomem materiais, são concluídos e faturados. O recusado recebe causa e laudo, sai pela R714 e é devolvido junto aos demais sem ser tratado como se tivesse sido produzido.
Pontos de prova: captação unitária, recusa rastreável, diferença entre captado/produzido/faturado.
Caso B — Banda alterada após a raspa
O raspador mede uma largura diferente da prevista. A etapa permite troca e o sistema busca item de produção com mesma medida/desenho e nova largura. Se a combinação não existir, ocorre valor inválido; se duplicada, múltiplos valores inválidos.
Pontos de prova: R482, R39, R688, R755, P636.
Caso C — Manchão cobrado à parte
Durante uma etapa que permite/exige itens, o operador informa o serviço de aplicação. A linha permite cobrança extra, o serviço possui item de produção vinculado e P594 está ativo. O material é baixado conforme receita e o serviço poderá compor o faturamento.
Pontos de prova: subitem, receita, etapa, estoque e cobrança.
Caso D — OP concluída, mas parada
A produção terminou, porém a OP permanece “Aguardando Saída”. O problema não está mais no chão de fábrica: deve-se verificar R714, bloqueios, documentos e faturamento. O R1143 e o monitor ajudam a encontrar esse estoque em processo administrativo.
Pontos de prova: status técnico diferente de status fiscal/comercial.
Caso E — Produção de remold
A empresa cria uma OP na R485 para produzir dez pneus remold destinados ao estoque. Ao fechar, entram dez produtos acabados e saem carcaças/borracha/materiais da estrutura. A conferência ocorre no DET e nos relatórios R1214, R1160, R1162 e R1165.
Pontos de prova: fluxo de fabricação, não captação/devolução de bem de terceiro.
18. Plano de estudo em cinco sessões
Sessão 1 — Negócio e vocabulário
- estudar os três métodos de reforma;
- memorizar as dez etapas físicas;
- dominar carcaça, captação, coleta, OP, linha, etapa e receita;
- responder questões 1 a 3.
Sessão 2 — Cadastros
- R130, R482, R39, R685 e R688;
- parâmetros P88, P89, P172, P173, P417 e P594;
- desenhar o relacionamento item de venda → captação → produção.
Sessão 3 — Fluxo ponta a ponta
- R11/R419 → R442 → R714 → R707/R708 → R714 → faturamento → R1245;
- praticar os casos A e D;
- explicar cada mudança de status em voz alta.
Sessão 4 — Exceções e suporte
- R709, R710, R711, R712, R755, R1001 e R1229;
- estudar erros da tabela de diagnóstico;
- resolver os casos B e C.
Sessão 5 — Gestão e remold
- painéis R1153/R1156 e monitor R1143;
- relatórios e indicadores;
- fluxo R485 do remold;
- responder as vinte perguntas sem consultar.
19. Resumo de bolso
Venda/captação: R11 ou R419
Liberação comercial: R442
Entrada e saída da carcaça: R714
Início manual da OP: R707
Confirmação das etapas: R708/coletor
Pular / voltar / reprocessar: R709 / R710 / R711
Recusar: R712
Trocar item de produção: R755
Linhas e etapas: R685 / R688
Usuário e senha industrial: R706 / R984
Item e receita: R482 / R39
Laudos: R1001
Painéis: R1153 / R1156
Expedição: R1245
Remold fabricado: R485
20. Fontes principais
- MOVERE — Processo de recapagens e conserto de pneus
- MOVERE — R11 Reforma
- MOVERE — Configurações do módulo de produção e Gerenciador Industrial
- MOVERE — R39 Itens de Produção por Estabelecimento
- MOVERE — R688 Etapas por Linha de Produção
- MOVERE — Coletor Virtual
- MOVERE — Recusa de Pneus na Indústria
- MOVERE — Laudos, recusa e reclamação
- MOVERE — Monitores da Reformadora
- MOVERE — R1143 Monitoramento de OP
- MOVERE — R1159 Relatório de Coleta
- MOVERE — R1245 Expedição de Pneus Reformados
- MOVERE — R485 Produção de Pneus Remold
- Inmetro — Como é feita a reforma de pneus
- Inmetro — Perguntas frequentes sobre reforma de pneus